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INTUIÇÃO, ESSA NOSSA VOZ INTERIOR
Por Maria Inês Felippe

         Tenho observado e trabalhado muito com criatividade e nesse caminho constato, cada vez mais, que ser criativo exige muito mais transpiração do que inspiração.

         Todos sabem da divisão do cérebro (razão x emoção) e o processo criativo envolve sua utilização como um todo; é preciso sentir, imaginar, criar, pensar. Sinto que é pensar com a cabeça na lua, porém com os pés no chão, trazer para a realidade o que foi sonhado. Só que nesse espaço entre criar e realizar há uma lacuna que deve ser preenchida e que envolve mais ainda a criatividade, porque nem sempre o que criamos é compatível com a realidade, pois envolve custos, por exemplo, além de outros fatores concretos.

         Mas não devemos deixar de ter em mente o pensar e agir de forma inovadora, o que, por vezes, causa uma certa revolução. Uma coisa é certa, repito, criar envolve muito mais transpiração do que inspiração, como já foi dito por diversos autores, mas exige também boa dose de disciplina. Isso pode parecer exagero, mas a sistematização, o seguir a cartilha no processo de criação é tão importante quanto a ato de criar em si.

         Esse processo consiste de etapas distintas, que exigem pessoas de perfis diferentes. Entretanto, podemos encontrar também pessoas que se diferenciam por possuir as duas competências, a de criar e a de fazer acontecer. É claro que falar em criatividade sem resultados práticos é pura "balela".

         Percebemos que geralmente a necessidade é a mãe da invenção e que esta surge também diante de situações que envolvam competitividade, ameaça a valores básicos, assim como diante da busca de auto-realização, ou frente à colocação: "não gosto disso", ou ainda" "temos que melhorar", " não sei se inventei algo".

         O que podemos afirmar é que a inovação abre novos caminhos, novas perspectivas, abre a cabeça e favorece a transformação pessoal e social, não se restringindo, portanto, somente ao lançamento de produtos e serviços. Ou ainda, buscar fazer mais barato sem perder a qualidade, fazer mais rápido, agregar valor, fazer mais com menos.

         Criar é repensar, é reavaliar a tomada de decisões, observar se não estão sendo repetitivas e até, em alguns casos, é deixar de fazer. É preciso investigar, é importante ver a criatividade não somente como estratégia de sobrevivência ou crescimento, como também de transformação. A disciplina entra exatamente na hora de transformar a idéia em ação, transformar a ilusão em atitudes.

         Até então estamos falando de assuntos de fácil entendimento, mas e a intuição?

         Ah! a intuição, esse ingrediente tão difícil de explicar. Vamos começar explicando o que é uma pessoa intuitiva.

         As pessoas intuitivas são:

  • Pessoas de idéias
  • Aptas a lidar com assuntos intangíveis
  • Possuem os famosos " clics", também difíceis de explicar
  • Lidar com possibilidades é seu grande desafio motivacional
  • São experimentais e imaginativas
  • São idealistas, às vezes "desligadas"
  • Vêem conexões e amarrações, por vezes desenvolvem fórmulas complexas.
  • São pouco práticas
  • Pulam de um assunto para o outro
  • Desenvolvem idéias originais que geram mudanças no conceito global.
  • Às vezes sentem dificuldade de expressar suas idéias, o que as coloca em desvantagem numa roda de conversa, principalmente de negócios.
  • São aquelas com quem que nem todas as pessoas têm paciência para lidar.

         Doris J. Salcross, professora da Universidade de Massachusetts-USA e da Universidade de Santiago de Compostela - Espanha, ressalta que a intuição é muito mais veloz que o nosso pensamento comum. Você intui algo e depois, pensando bem ou pesquisando, constata que estava com um certo feeling.

         Deve ser entendida como sentimento interior, visceral, acerca de quaisquer situações e se alimenta da nossa profunda sabedoria e verdades pessoais.

         Refere-se a uma resposta involuntária, não racionalizada, opondo-se às respostas pensadas. Eclode espontaneamente, tal como o pressentimento. O pressentimento, o estado de humor, seus flashes ou suas imagens mentais, podem ser considerados como intuições ou insights.

         Ela favorece captar antecipadamente possibilidades futuras, inventivas e por vezes engenhosas.

         A intuição não esta diretamente ligada aos gênios, nem tão pouco aos "diplomados". Sabemos de inúmeros casos em que a solução de problemas foi trazida por pessoas mais simples do ponto de vista intelectual. Sabe aquela história em que estão reunidos vários engenheiros, especialistas, todos em torno de um projeto, de um problema, à procura da solução e vem o funcionário, o operário, na maior parte das vezes aquela pessoa em quem ninguém botava fé e diz: porque os senhores não fazem assim... A cada treinamento que dirijo, há sempre um participante que conta um caso. Será que teve aí observações, experiência, insight. O será que houve nesta cena?

         Tenho percebido também nos grupos em que trabalho, situações que envolvem tempo para criar como também a criação sob pressão e questiono: qual é o melhor momento para criar.?Alguns dizem que quando estão relaxados sentem que conseguem ter mais intuição e criar, outros, entretanto, somente criam sob pressão. Diria que o brasileiro possui esta competência de trabalhar sob pressão. Muitas vezes criamos jogos que eu diria pesados para o processo criativo e os participantes respondem de maneira bastante satisfatória, trabalhando somente com ginástica cerebral e exercícios estratégicos.

         Percebemos que a criação é fruto de observação, investigação e que a resposta poderá eclodir através da intuição da famosa expressão: Eureca!!!

Agora pergunto, é possível desenvolver a intuição? Claro que sim, há técnicas ativadoras, tais como exercícios de Relaxamento Plástico Criativo, Mandalas, Analogias Inusuais, Imagem Guiada, atividades com figuras, formas, música, dança, exercícios sobre a arte de fazer perguntas, criação de metáforas, ferramentas de coaching e mentoring. Meditação e várias outras técnicas.

         Afinal, você já pensou como está a sua voz interior?

Maria Inês Felippe: Palestrante, Psicóloga, Especialista em Adm. de Recursos Humanos e Mestre em Desenvolvimento do Potencial Criativo pela Universidade de Educação de Santiago de Compostela - Espanha. Palestrante e consultora em Recursos Humanos, Desenvolvimento Gerencial e de equipes, Avaliação de Potencial e competências. Treinamentos de Criatividade e Inovação nos Negócios. Palestrante em Congressos Nacionais e Internacionais de Criatividade e Inovação e Comportamento Humano nas empresas. Vice Presidente de Criatividade e Inovação da APARH.

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