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UMA PAUSA PARA CRIAR
Por Maria Inês Felippe

         Objetos de desejos de todos são uma pausa e a formula mágica para despertar o potencial criativo.

         Pausa, indispensável para qualquer ser humano, se não fosse ela provavelmente não existiríamos, indispensável considerando o corre corre que vivemos.

         Criatividade um assunto que fascina a todos, objeto de muitos estudos e é aquilo que precisamos para viver melhor, para sermos mais competitivos.

         Domenico de Masi, sociólogo italiano, ressalta a importância do ócio criativo para a vida das pessoas.

         A pausa funciona como ativadora do poder de criação, diria que o ócio criativo servirá não só para criar, mas para poder viver na cidade grande e se criar é viver nossa criação fica comprometida, crescendo cada vez mais as filas nos consultórios de tratamento de doenças psicossomáticas, tais como problemas na pele, estômago, dores de cabeça e a doença do século, a depressão.

         Aspectos estes bastante discutidos nos treinamentos principalmente considerando a cultura brasileira, sistema econômico e ritmo de vida que levamos.

         É fácil entender, agora puxando a sardinha para nós mulheres.

         Hoje temos que trabalhar, na sua grande maioria possui jornada tripla, trabalhando fora, estudando a noite, ao chegar em casa é mãe, orientam os filhos nas tarefas escolares, com grande esforço conversa com os filhos a respeito da vida, na tentativa de orientá-los e para compensar o tempo que fica afastada. Também assume o papel de esposa e algumas executam atividade do lar.

         Cada vez mais as mulheres estão ocupando espaço no mercado de trabalho, principalmente levando em conta o êxito conquistado, sua feminilidade, intuição, junto com estas conquistas a disputa do mercado ela também está absorvendo as doenças da vida cotidiana, tais como problemas cardíacos, pressão alta, stress, doenças que antigamente eram privilégio dos homens.

         Por outro lado os homens também sofrem as mais diversas pressões em relação ao seu desempenho profissional, onde o resultado é cobrado para ambos. Eles estão assumindo um outro comportamento que exigiu dele quebrar modelos mentais tais como o homem é provedor e a mulher é responsável pela administração do lar e educação dos filhos.

         Os papéis estão sendo modificados e é certo que a única certeza é de um fim totalmente incerto levando a todos a uma saturação psicológica comprometendo cada vez mais a saúde física e mental. Temos que fazer algo para mudar este cenário.

         Outro dia estava voltando de Belo Horizonte e conversando com um executivo ele disse que a sua vida é viajar.Semanalmente viaja para quatro estados por semana, antes viajava de um estado para outro, agora está feliz, pois está conseguindo retornar a São Paulo para dormir em casa. Hoje viaja pela manhã e regressa no último vôo, dorme em casa e no dia seguinte tudo de novo.Veja que loucura.

         É preciso reavaliar nossos valores, princípios e também das organizações.

         A pausa além de proporcionar um descanso físico, também alimenta a alma. Cada vez mais percebemos que um mês de descanso, ou os finais de semanas livres são insuficientes para "desligar", mas de qualquer forma permite sentir, pensar ou até mesmo não fazer nada.

         Para o processo de criação é importante observar, sentir, devanear, descontrair, favorecendo a criação de um mundo melhor que lhe satisfaça e muitas vezes propicia reavaliar seus valores e criar novas formas de vida.

         Quando Domenico de Masi assinalou a importância do avanço tecnológico e que conseqüentemente teríamos mais tempo livres para praticar o ócio criativo, doce ilusão do nosso amigo italiano, ele não contava com o sistema em que vivemos, mas é inquestionável a importância do ócio como estimulador para que possamos perceber mais o que está ao nosso redor, o que está acontecendo no mundo o que dispomos, além de observar com mais detalhes nossos jardins, flores, elementos da natureza que no dia a dia não conseguimos perceber e assim podemos estabelecer analogias, junções de elementos, sendo assim a intuição fica mais livre provocando os "insigts", os "clics".

         A prática de esportes, escutar musicas, dançar, ir ao teatro, cinema ou até mesmo fazer nada devagarzinho, nos remete a voltar para si mesmo, descobrindo-se, sonhar, imaginar e criar.

         Quem não se renova desarticula-se do contexto e dificilmente se adapta as novas situações, buscar a saúde mental passa a ser condições básicas para a sobrevivência humana.

         Todas estas questões implicam em considerar os componentes que concebem a inovação, introduzindo novas idéias, realizando-as e aplicando-as nos respectivos contextos, assim como criar o que não foi criado.

         A pausa criativa poderá ser a mola propulsora para mudança de hábitos, porém a prática nos assinala que a criação poderá ser ativada também sob pressão exemplo diante de um problema, onde temos que resolver imediatamente, durante uma avaliação de processos fabris, durante uma mesa de negociação, etc. O que não podemos é levar a uma saturação psicológica do trabalhador exposto constantemente a trabalhos sob pressão, caso contrário continuaremos engrossando a fila dos consultórios médicos.

Maria Inês Felippe: Palestrante, Psicóloga, Especialista em Adm. de Recursos Humanos e Mestre em Desenvolvimento do Potencial Criativo pela Universidade de Educação de Santiago de Compostela - Espanha. Palestrante e consultora em Recursos Humanos, Desenvolvimento Gerencial e de equipes, Avaliação de Potencial e competências. Treinamentos de Criatividade e Inovação nos Negócios. Palestrante em Congressos Nacionais e Internacionais de Criatividade e Inovação e Comportamento Humano nas empresas. Vice Presidente de Criatividade e Inovação da APARH.

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