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DIVERSIDADE
Você sabe aproveitar dela?
Por Maria Inês Felippe

        Nas minhas andanças treinando americanos, europeus, africanos, mexicanos, argentinos e muitos brasileiros, encontrei uma riqueza de pensamentos que não dá para desprezar, mas que as empresas desprezam.
        São povos com os seus costumes, rituais, ritmos, tão diferentes e tão pouco aproveitados na sua potencialidade assim como a inteligência e criatividade. Aproveitar-se efetivamente da adversidade é entender os diferentes traços culturais, rituais e forma de pensamento. Sendo assim não há espaço para a padronização.
        Vivemos sendo encaixados dentro de um quadrado, de um modelo social perverso. Agora todos tem que falar inglês, estudar MBA, fazer ginástica, ter um corpo “sarado”, andar de forma elegante, carro y, praticar o marketing pessoal entregando cartões de tal forma, cor de ternos, estilo de roupas “ufa” quantos padrões. Será que é isso que faz a sociedade evoluir?
        A diversidade empresarial começa com a diversidade ocupacional e funcional, onde cada qual percebe coisas distintas, percebem de acordo com o seu próprio modelo mental: a sua forma de ver, perceber e atuar no mundo, em contrapartida as empresas buscam comportamentos padronizados. Há momentos que mesmo com todo avanço tecnológico vivemos como no filme Tempos Modernos.

  Cada vez mais as companhias se dão conta de que a padronização de pensamento,
opiniões e métodos de trabalho não funcionam quando
o assunto são os colaboradores internos.
         Do ponto de vista estratégico, devemos
estar atentos às diferenças se quisermos
utilizar da diversidade como fonte de
múltiplas perspectivas de soluções de
problemas e geração de idéias agregan -
do pessoas e pensamentos.
Todo o indivíduo que se sente excluído
tende a se distanciar e quem perde com
isso somos nós a sociedade, é preciso
to- lê- rân- cia.

        Se considerarmos que criatividade é ver o que todos vêem, mas enxergando coisas distintas, não poderei buscar a “unanimidade” artificial. Veja que interessante a padronização da moda, alimentação, música o mundo se padronizou, por outro lado a diferença no atendimento, nos produtos e serviços é o diferencial no mundo dos negócios, não é contraditório?
        Empresa de vanguarda precisa tirar proveito da diversidade não a partir dos estereótipos da padronização e da banalização, mas sim das diferenças da forma de pensar, agir e se comportar, mesmo porque a diversidade é produto das diferenças individuais, grupais, sexuais, funcionais e ocupacionais.

Veja que cases interessantes:
        Durante o mês de outubro fui para Angola treinar um grupo de trabalhadores de uma empresa vinculada a ONU-Organizações das Nações Unidas. Uma experiência fantástica.
        Durante o treinamento surgiu um conflito que estava afetando diretamente o relacionamento da equipe e que jamais pensei que pudesse acontecer. No grupo de trabalhadores há angolanos, ingleses, franceses, brasileiros, árabes, libaneses, e várias outras, cada qual com sua forma de agir, sentir, vestir, falar e ver o mundo. O que acontecia no dia a dia? Há povos que tem costume diferente na forma de se cumprimentar logo pela manhã, como há pessoas que não se cumprimentam, ou por costume culturais ou por temperamento.
        Essas pessoas, que por sua vez são diferentes dos brasileiros que logo ao chegar é aquela alegria, passavam a ser vistos e tratadas com distanciamento, por vezes consideradas grosseiras e até mesmo “esquisitas”.
        Por outro lado os “esquisitos” achavam os outros “esquisitos”, percebe a confusão? Foi preciso fazer um trabalho de re-conhecimento cultural desvendando os “mistérios” culturais para que o grupo pudesse se interagir e melhor o relacionamento.
        Outra situação interessante foi quando estava no Japão, brincando com um amigo acariciei o rosto dele porque estava nervoso com os japoneses. Quando um japonês viu minha atenção para com o brasileiro começou a rir, como não sabia se ria porque gostou, ou não, tive a mesma atitude com ele, só que os japoneses não tem o costume de acariciar o rosto de outra pessoa em público, percebeu as diferenças atuando? Somente depois que soube o que fiz diante da comunidade nipônica.

        Quanto mais a empresa for capaz de administrar a diversidade, tanto maior será seu potencial de perspectivas múltiplas junto a clientes, fornecedores, parceiros no negócio, assim como será maior o potencial de flexibilidade e da criatividade buscando novas soluções, produtos e serviços.
        Hoje no mundo do negócio não basta ter dinheiro para realizar bons negócios sejam nacionais ou internacionais é preciso saber lidar com a peculiaridade de cada povo, sua cultura, rituais assim como das necessidades de cada pessoa. Cada vez mais exige-se abertura as diferenças e um bom começo é despir-se da arrogância abrindo-se ao novo, ao que é diferente e buscar informações do que é importante, da sua história, necessidade de cada cliente.
Recomendações estratégicas:
        Cada caso é um caso, estamos tratando da diversidade. Não há soluções mágicas, mas sim algumas recomendações a serem plicadas.
Conheça a si mesmo
        Como você pensa, sua conduta, temperamento, sua dominância cerebral. Ressalto que se quero ter resultados diferentes não posso ter comportamento repetitivo.
Conheça com quem você vai se relacionar

• Na negociação, quando vou negociar com um italiano será que é da mesma forma que negocio com um japonês? Será que o tempo de resposta na negociação é a mesma? Entender e respeitar as características de cada mercado atendido é um ponto inicial para o sucesso.
• Quando vou pertencer a um grupo de trabalho, quem são as pessoas, como elas pensam, qual seu propósito e objetivos. Qual será a minha contribuição e como elas vão somar a mim?
• Como líder que permite com que a pessoa fale por si, evita os porta-vozes e desvios na comunicação e ganha autenticidade na mensagem.
• Quando estou liderando uma equipe, como ela reage ao meu comando? Quem são as pessoas, como pensam, o que gostam, buscam, como são, qual a sua maturidade técnica e psicológica?

Lidere por metas individuais e coletivas e não por normas
        A liderança com foco em resultado faz com que todos se concentrem pra alcança-los. Ao enfatizar os resultados coletivos, o líder estará enfatizando a atuação em conjunto, evitando isolamento e a interrupção do diálogo.
        Capacitar, desafiar e estimular a criatividade dos membros da equipe é uma das saídas para estimular e tirar proveito da diversidade.
Prepare a empresa para a diversidade
        Estimular com que todos participem rompendo as barreiras da hierarquia conciliando os opostos tirando proveito dos conflitos e da diversidade.
        Promover programas de desenvolvimento que dá poderes aos membros dos grupos minoritários para exprimirem suas idéias, metas e trabalhem no sentido de atingi-las.
        Respeitando a diversidade empresa beneficia-se da força de trabalho multicultural favorecendo sua atuação no mercado global.

A empresa só tem a ganhar quando abrem espaço para as diferenças

Artigo publicado na revista Gestão e Negócios.

Maria Inês Felippe: Palestrante, Psicóloga, Especialista em Adm. de Recursos Humanos e Mestre em Desenvolvimento do Potencial Criativo pela Universidade de Educação de Santiago de Compostela - Espanha. Palestrante e consultora em Recursos Humanos, Desenvolvimento Gerencial e de equipes, Avaliação de Potencial e competências. Treinamentos de Criatividade e Inovação nos Negócios. Palestrante em Congressos Nacionais e Internacionais de Criatividade e Inovação e Comportamento Humano nas empresas. Vice Presidente de Criatividade e Inovação da APARH.

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